A pesquisa em Psicanálise

O sentido da pesquisa em psicanálise no Instituto Vox se encontra orientado por duas afirmações de Jacques Lacan.

Na primeira delas,realizada no dia 15 de janeiro de 1964, no SeminárioXI, ele inicia uma distinção com o sentido de pesquisa tal como habitualmente praticado e legitimado pelos “poderes públicos, para os quais esse termo pesquisa, há algum tempo,parece servir de senha para muitas coisas”(pg14) e acrescenta: “…o termo pesquisa, eu desconfio dele. Para mim, jamais me considerei um pesquisador. Como disse uma vez Picasso, para o maior escândalo das pessoas que o rodeavam – Eu não procuro, acho”(pg14)

A conservação do termo pesquisa que orienta o trabalho do Instituto Vox procura se valer da frase “Eu não procuro, acho”. Para tanto o não alinhamento dela, pesquisa, com os “poderes públicos” que a usam de “senha” é a condição irrevogável. Isso porque a legitimação de iniciativas baseadas na expressão “segundo os dados da pesquisa…” procuram criar, a um só tempo, uma realidade e um sentido unívoco que lhe é supostamente complementar.

Uma vez que se pretenda resgatar o sentido na frase de Picasso para a pesquisa, será necessário admitir que não existe garantia da verdade pela pesquisa. Em um campo de experiência como o da Psicanálise, fundado desde Freud pelo reconhecimento do inconsciente é que se pode reconhecer que aquilo que cada um acha, de forma acidental, á revelia das intenções conscientes, mantém parentesco com a verdade. A partir desse ‘encontro faltoso’ e inesperado o sujeito poderá se aventurar em uma via de realização inédita, tanto quanto particular.

A segunda afirmação de Jacques Lacan se encontra apresentada na Seção do dia 14 de março de 1978, no Seminário O Momento de Concluir, ocasião em que retoma a frase de Picasso e diz ele: “Atualmente eu não encontro, eu pesquiso. Eu pesquiso, e há mesmo algumas pessoas que querem me acompanhar nessa pesquisa”

A posição adotada no Instituto Vox implica uma leitura dessas duas frases que não tornam antagônicas e tampouco complementares. Se trata de uma condição de esclarecimento que uma empresta à outra.

O que se destaca na passagem da Seção do Seminário do dia 14 de março de 1978, é que aquilo que num primeiro momento se acha, sem uma procura determinada voluntariamente, é que vai conduzir uma pesquisa. entendendo que aquilo que se acha de forma acidental é uma ruptura, uma descontinuidade. A partir desse achado faltoso, o sujeito poderá, mediante consentimento a sua escuta, se valer disso como causa para sua pesquisa.

Mulheres, política e psicose nomeiam três causas que orientam pesquisas. Existem articulações a serem esclarecidas para manter essas três causas numa referência em que a categoria do universal, ou seja, do para todos, não  se sobreponha a elas como garantia da verdade.

A presença do impossível como termo presente em mulheres, política e psicose, se anuncia como condição necessária para estabelecer o sentido da pesquisa desde uma referencia ao que se nomeia como lógica do não todo.

Comments are closed